segunda-feira, 17 de novembro de 2008

PAULO MENDES DA ROCHA

BIOGRAFIA

Paulo Archias Mendes da Rocha nasceu em 1928 na cidade Porto de Vitória e formou-se em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Mackenzie, em São Paulo, em 1954, fazendo parte de uma de suas primeiras turmas.

Nesse período essa faculdade ainda estava ligada a um modelo historicista de arquitetura e Mendes da Rocha passou a participar de um grupo de alunos interessados na arquitetura moderna.
Filho do engenheiro de portos e vias navegáveis Paulo Menezes Mendes da Rocha (1887 - 1967), diretor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - Poli/USP entre 1943 e 1947, tem uma formação familiar ligada à reflexão sobre a relação entre engenharia e natureza.
Em 1955 abre seu escritório em São Paulo, e sua arquitetura foi influenciada por Vilanova Artigas desde seu primeiro grande projeto, onde se destacou muito cedo, aos 29 anos, ao vencer o concurso para o Ginásio do Clube Atlético Paulistano, 1958, em parceria com o arquiteto João Eduardo de Gennaro, obra que lhe vale o Grande Prêmio Presidência da República na 6ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1961.
Passa a lecionar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) em 1961, em meio a um intenso debate social promovido por professores e alunos. Discute-se neste momento o papel social do arquiteto, o que não viria a agradar o governo militar que se instaurou no País em 1964.
Vence, em 1969, em situação paradoxal, o concurso nacional para o Pavilhão do Brasil na Expo'70, em Osaka, juntamente com os arquitetos Flávio Motta, Júlio Katinsky, Ruy Othake, Jorge Caron, Marcello Nitsche e Carmela Gross uma grande cobertura de concreto e vidro apoiada em colinas artificiais.
Em 1969, após o Ato Institucional nº 5 - AI-5, é afastado da FAU/USP, seus direitos políticos são cassados, e é proibido de dar aulas, à qual retorna apenas com a anistia, em 1980, juntamente com outros professores cassados (entre os quais, Vilanova Artigas). Mendes da Rocha, como auxiliar de ensino - condição na qual permanece até tornar-se professor titular em 1998, quando é aposentado compulsoriamente, por ter completado 70 anos de idade.
Atuante também no campo da representação de classe, presidente do departamento paulista do Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB/SP em duas ocasiões: 1972-1973 e 1986-1987. Entre 1987 e 1988, seus projetos para a Loja Forma e para o Museu Brasileiro da Escultura - MuBE, este também vencedor de um concurso, inauguram uma nova fase de reconhecimento público do seu trabalho.
Em 1996, as editoras Blau, de Portugal, e Gustavo Gilli, da Espanha, lançam, em co-edição, o livro Mendes da Rocha. Seu reconhecimento internacional se intensifica com a Sala Especial Mendes da Rocha na 10ª Documenta de Kassel, na Alemanha, 1997, e com o Prêmio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana, em 2000, pela reforma da Pesp. Com a publicação do livro Paulo Mendes Da Rocha: Bauten Und Projekte, na Europa pela Niggli Verlag, em 2001, e encomendas de projetos na Espanha, recebe o importante Prêmio Pritzker, de 2006, condecoração máxima entre os arquitetos no mundo.

CONTEXTO HISTÓRICO/POLÍTICO

Paulo Mendes da Rocha viveu várias fases da história do Brasil, como a crise de 1929 e a revolução em São Paulo de 1932, o que teve grande reflexo na sua vida. Seu pai era um grande engenheiro, que juntou algum dinheiro e com um sócio criou uma empresa exportadora de café e 1929 perdeu tudo, então foi a São Paulo. Em São Paulo se enfiou na revolução que estava acontecendo com seus colegas engenheiros, onde inventaram várias coisas, até granadas, e depois acabou preso. Seu pai nunca foi do Partido Comunista, ele é que foi cassado pelo AI-5 enquanto uma pessoa de esquerda, porque, como todo estudante dessa época, tinha de ser de esquerda.
Paulo M. R. foi a muita reunião do PCB porque tinha e defendia idéias comuns às de alguns amigos ilustres do partido, mas nunca teve carteira e nem foi militante, porque nunca quis. Mas foi cassado também, duas vezes. Primeiro, demitido, da USP, aposentado pelo AI-5, e quinze dias depois foi publicado no Diário Oficial, pelo AI-5, uma lista com praticamente os mesmo nomes da anterior que dizia o seguinte: estão “proibidos de trabalhar para o governo da República, de forma direta ou indireta, empregatícia ou não”. Era para ir embora do país, mas eu tinha cinco filhos, então resolvi ficar.
Conversou com várias pessoas que o protegeram, ele não assinava seus projetos e foi trabalhando assim até passar a anistia, em 1979.



No dia em que foi cassado, foi publicado nos jornais que Paulo Mendes da Rocha ganhou um concurso para fazer o pavilhão do Brasil em Osaka, numa feira internacional, mas então, não poderia ir. Mas como era uma relação internacional já estabelecida, criaram um caso interno, então ele iria, faria o pavilhão e voltava.



ESTILO, CONCEITO, TECNOLOGIA E ARQUITETURA

A tecnologia de Paulo Mendes da Rocha ultrapassa os conceitos rotineiros que dizem respeito simplesmente aos materiais, técnicas ou metodologias utilizadas, o conceito de tecnologia de sua arquitetura consiste, antes de mais nada, em uma compreensão do espaço e da apreensão das suas necessidades, culminado com a busca de uma cidade mais funcional que incentive o convívio humano, dentro do projeto de uma sociedade.
Nas inúmeras entrevistas e reportagens sobre Paulo Mendes da Rocha pode-se perceber o fervor com que confabula sobre a cidade, deixando transparecer a sua paixão pelo espaço público, que torna-se assunto recorrente nas mais diversas respostas. E complementa “a virtude mais bela das cidades é a possibilidade da conversa”. Toda essa intimidade com a cidade é confirmada pelos jurados do Prêmio Pritzker, quando disseram que “as obras de Paulo Mendes da Rocha entendem profundamente a poética do espaço.”

Capa da reportagem especial sobre a obra de grandes arquitetos: Paulo Mendes da Rocha, representado a forma como é visto pelos críticos. (Revista Arquitetura e Construção de Agosto de 2007. p. 44-49.)
Quando indagado sobre sua arquitetura ele argumenta: "A arquitetura é na verdade uma técnica associada à emoção, à execução de uma coisa, entre a imagem da coisa feita e dessa coisa feita em enorme dimensão, é a recepção da coisa no espaço”. O estilo de Paulo Mendes da Rocha de projetar é estar focado na solução do problema. Não é uma forma específica ou um material, apesar da posta constante no concreto aparente, que melhor o identificam. Mas sim a habilidade de descobrir demandas e, sensível a elas, propor respostas, para observar o território e estabelecer a interlocução com o entorno. “Os projetos dele se abrem para a cidade, e se possível, dependem dela”, avalia o arquiteto Milton Braga. Foi essa característica que o levou a sugerir um novo endereço para a unidade Itaquera do Poupatempo, central de serviços públicos do governo paulista.

1998 - São Paulo, SP - Edifício de serviços estaduais Poupatempo no bairro de Itaquera, em conjunto com o escritório de arquitetura MMBB. Define uma construção suspensa na altura da passarela existente da estação de metrô - funciona como elemento divisor das áreas de atendimento, de integração dos dois prédios; prevê nos balcões as centrais de instalações elétricas, de iluminação e de climatização; utiliza diversos materiais na estrutura - vigas pré-moldadas de concreto, vigas metálicas, treliças metálicas e aço; a fachada inclinada dispensa a utilização de quebra-sóis. O autor quis a central de serviços junto a uma estação de metrô para facilitar o acesso da população.

A preocupação primordial com o conteúdo orienta o modo de trabalho do arquiteto. Sua produção não começa pelos desenhos ou pelas maquetes, constantes nos trabalhos do arquiteto, tem início na reflexão. “Ele é capaz de passar duas semanas analisando, debatendo... E só depois partir para a prancheta”, revela Milton Braga.


Protótipo Poupatempo

Protótipo Praça do Patriarca

Na reformulação de um dos campi da Universidade de Vigo, na Espanha, Mendes da Rocha resolveu três problemas com uma única solução: vias elevadas. “Elas vencem o terreno acidentado, a distância entre os prédios e o inverno rigoroso” resume Milton Braga.

No entanto, a face teórica não se sobrepõe à técnica, dono de uma apurada noção de espaço e geometria, Paulo geralmente acerta as proporções com maestria ao transferir o pensamento para o papel. Como ocorreu ao Projetar o MuBE – Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo. “Ele raciocinou por uns dias, quando chegou a hora de desenhar, bastou um fim de semana”, lembra o arquiteto Pedro Mendes da Rocha, seu filho.

1988 - São Paulo, SP – MuBE. Aproveita o desnível do terreno - implanta o edifício principal na cota mais baixa e define espelhos d'água, jardins, teatro aberto e portal com vão de 60 m, coberto por viga de concreto protendido. Todos espaços pretendem ser contínuos, isto é, a sua disposição permite uma circulação que se faz por continuidade entre os ambientes e entre o espaço interior e o exterior do museu.

Desde as entradas percebe-se que dentro e fora, a praça – museu externo – e o sub-solo – museu interno – fazem parte de um continuação do território urbano.

Na arquitetura do Museu Brasileiro da Escultura, Paulo Mendes da Rocha associou a linha “brutalista” ao aprimoramento tecnológico.


Em sua obra transparecem preocupações com uma arquitetura que mesmo sintética e limpa se exprime pelos detalhes construtivos rigorosamente estudados, o concreto aparente aliado aos grandes vãos nos quais a relação indivíduo-espaço é ora íntima e ora monumental, a arquitetura formalista procurando denotar a funcionalidade, a busca de espaços incentivadores do convívio humano.
Sua obra também é dita por alguns como caracterizada por um "raciocínio de pórticos e planos". De fato, em vários de seus projetos, a plena configuração espacial se dá através de um rápido jogo estrutural, promovido pelo domínio compositivo de elementos construtivos tradicionais (pilares e vigas, assim como paredes simples e lajes). Os projetos nos quais mais se torna clara esta característica são os do Museu Brasileiro de Escultura e a loja Forma. Costuma-se dizer que por isso, forma e construção são resolvidas ao mesmo tempo, chegando a resultados de rara consistência. Ao contrário da maioria dos edifícios a que estamos acostumados, nestes casos a estrutura e a forma se confundem; ficamos sem poder definir qual é qual. Como em muitos outros casos na arquitetura de Paulo Mendes da Rocha, após a definição ou construção da estrutura resistente pouco falta para completar o edifício.

1987 - São Paulo, SP - Loja Forma. Define o subsolo para estacionamentos e propõe a loja no primeiro pavimento e no mezanino.

Utiliza estrutura metálica apoiada em contrafortes de concreto e fachada envidraçada.


O concreto é seu material por excelência. Seria a nova pedra das velhas catedrais. E revela que “o concreto é o que vai traduzir a realidade atual dos nossos desejos, o traço que fazemos no papel. Trabalhamos com a memória das catedrais, mas com técnicas novas, cálculos matemáticos e máquinas. Por que usar a pedra se podemos usar o concreto? É um material como qualquer outro e pode ser revestido ou pintado se quisermos."Embora possa preferir deixá-lo natural, acha bobagem essa coisa de o concreto ter de ser aparente. Paulo admite que “não vê falta de emoção ou estética na obra de puro concreto, para ele existe, sim, uma dimensão lírica dessa arquitetura.” Maestria mais uma vez confirmada pelo crítico júri do Pritzker: "Seus materiais de concreto, que são sua assinatura, e seus métodos de construção inteligentes e notavelmente diretos, criam prédios poderosos e expressivos reconhecidos internacionalmente",
E para finalizar mais uma das infinitas reflexões sobre a cidade extraída do discurso de Paulo Mendes da Rocha ao receber o Prêmio Pritzker – o Nobel da Arquitetura – em 30 de maio de 2006. “Creio que hoje a construção da cidade contemporânea é o mais alto desejo do homem.”

1988 - São Paulo, SP – Casa Gerassi. A estrutura pré-moldada de concreto armado e protendido, suspensa por seis pilares, cria um vão livre de 7 m. No térreo ficam as áreas de lazer, apoio, jardins e garagens. A casa está no piso superior.

Luz e ar fresco na sala, graças à generosa clarabóia e à grelha de ferro vazada.


A parede que separa a cozinha do living deixa aberta uma passagem junto ao janelão, que toma toda a fachada. Para Paulo, cozinhar olhando o movimento da rua é mais saboroso.

Cobertura suspensa para o acesso à Galeria Prestes Maia que abriga grande parte da praça.

1993/1998 - São Paulo, SP - Realiza o projeto de reforma e adequação da Pinacoteca do Estado. Adapta o edifício do século XIX às necessidades técnicas e funcionais atuais. A intervenção arquitetônica na Pinacoteca do Estado de São Paulo valeu a Mendes da Rocha o prêmio Mies Van der Rohe para a América Latina.

Outra intervenção são as passarelas metálicas sobre os pátios laterais.

1973- Goiânia, GO - Estádio Serra Dourada. É o terceiro maior e o sétimo melhor estádio do país e candidato a sediar alguns jogos da Copa do Mundo de 2014.
Dados gerais:
· Proprietário: Governo do Estado de Goiás
· Capacidade: 50.049 (originalmente 80.000)
· Área total: 500.000 m²
· Área construída: 160.000 m²
· Dimensões originais do Gramado: 118 x 80 m
· Capacidade: 50.000 expectadores
· Lanchonetes: 22
· Banheiros: 53
· Cabines para rádio: 34
· Vestiários: 4
· Salas para aquecimento: 2
· Bilheterias: 5
· Guichês: 44
· Portões de entrada: 7
· Portões de saída: 12
· Departamento médico: 2



São Paulo, SP - Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Com sede no campus central da univerdidade, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) é uma instituição ligada ao ensino, à pesquisa e à extensão universitária, voltado à produção artística nacional e estrangeira. O MAC possui a mais importante coleção da América Latina especializada na produção ocidental do século XX. Conta com cerca de 8 mil obras - entre óleos, desenhos, gravuras, esculturas, objetos e trabalhos conceituais - consistindo em um grande patrimônio cultural com decorrências nacionais e internacionais. O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo é instituído em 8 de abril de 1963. O ano de 1985 marca o começo da construção da sede definitiva do MAC, na Cidade Universitária.



São Paulo, SP- Galeria Vermelho. Localizada no complexo viário do final da avenida Paulista, a galeria é o resultado da reforma de três sobrados geminados. As casas, construídas no tempo em que a região era um pacato e uniforme setor residencial da cidade, resistiram à desconfiguração do sítio urbano. O desafio da reforma foi rearranjar o espaço para criar grandes áreas de exposição. Para isso, as principais alvenarias portantes do térreo foram mantidas e todo o espaço no piso superior foi liberado. Nos fundos do lote, construiu-se um volume com pé-direito duplo.
O primeiro pavimento configura-se em uma recepção que dá acesso a duas galerias para obras de pequeno porte. No fundo, um salão de pé-direito duplo, única construção nova, é utilizado para expor peças maiores. O segundo pavimento abriga o maior espaço de exposições da galeria. A cobertura tem tesouras aparentes de madeira - quatro antigas e duas novas - que substituem as alvenarias retiradas.


Belém, MA - Museu dos Coches. O Novo Complexo para o Museu dos Coches a construir em Belém é constituído, para além do edifício principal (Pavilhão de Exposições), por um Edifício Anexo, por um Silo Automóvel e por uma Ponte Pedonal que estabelece a ligações entre os 3 edifícios. O Pavilhão de Exposições, que se destina a albergar as salas de exposições dos coches, é composto por uma estrutura elevada a 4,50m do solo com dimensões em planta de 126x48m e 12m de altura. O Edifício Anexo garante o apoio necessário ao funcionamento do museu, incluindo zonas destinadas a Escritórios, Restauração e ainda um Auditório. As áreas de Escritórios e Restauração localizam-se em 2 “passadiços” elevados com 46x14m e 46x10m respectivamente, suportados por uma estrutura de betão periférica também elevada com 46x46m apoiada em apenas 4 pilares. O Auditório situa-se ao nível do piso térreo. A Ponte Pedonal e as respectivas rampas de acesso estabelecem o percurso de 180m entre os dois edifícios e o silo destinado ao estacionamento de automóveis.

Referências:

http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/
http://casa.abril.com.br/noticias/
http://blog.cancaonova.com/pink/category/praca-do-patriarca/
www.rfi.fr/actubr/articles/076/article_347.asp
www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura57a.asp
www.arq.ufsc.br/arq5661/trabalhos_2006-2/zenital/index.php?pag=exemplos
www.casa.abril.com.br/arquitetura/paulomendes/
www.pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Mendes_da_Rocha
www.trienal.blogs.sapo.pt/16700.html
www.iab-rs.org.br/colunas/artigo.php?art=87
www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/4/textos/255/
www.soarquitetura.com.br/template.asp?pk_id_area=20&pk_id_topico=315&pk_id_template=1
Revista Arquitetura e Construção de Agosto de 2007. 20 Anos: reportagem especial sobre a obra de grandes arquitetos: Paulo Mendes da Rocha. p. 44-49.
http://www.cosacnaify.com.br/loja/biografia.asp?IDAutor=130
http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq038/arq038_03.asp
http://www.vitruvius.com.br/entrevista/mendesrocha/mendesrocha_4.asp
http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed61/paulo30.asp
http://www.geocities.com/Paris/Tower/9826/f2-1970.html
http://www.ponto.org/1/artigo3.html

Equipe: Andressa Kessler, Débora Stiegemeier, Juciane Ferreira, Maiara Dorigon, Silvia Garcia.

Conclusão Semestre História V (por Maiara Dorigon)


Pelo fato da disciplina de história ser uma constante no currículo, e já termos vivenciado as experiências de semestres anteriores, é inevitável a comparação deste semestre com os semestres anteriores. Quanto a este semestre que estamos finalizando, acho que a superação foi total, foi um semestre bastante dinâmico, com atividades diversificadas, que auxiliaram, sem dúvidas, no nosso maior entrosamento. Sobre a metodologia adotada, os painéis foram divertidos de montar, principalmente o primeiro; as abstrações foram interessantes para compreendermos o quanto temos dificuldades de captar a essências das “coisas construídas” e o blog foi uma ferramenta que tentou integrar nossa vida tecnológica aos assuntos da disciplina.
Quanto ao conteúdo administrado no semestre, a arquitetura brasileira, a conclusão é de que temos uma arquitetura muito rica, que se origina de diversas vertentes, desde a mais “rudimentar” e simples, a dos indígenas, por exemplo, mas extremamente funcional e sustentável, até a arquitetura moderna e contemporânea, com suas tecnologias avançadas, e que, muitas vezes acabam destruindo e esquecendo a natureza.
A arquitetura brasileira foi sempre muito transitória, e por diversas vezes, os movimentos posteriores negavam os conceitos anteriores, fato recorrente por diversas vezes, e só possível pela capacidade crítica e de renovação dos arquitetos, e também pelos momentos históricos, políticos e culturais em que o Brasil vivia ao longo de sua formação. O entendimento da arquitetura brasileira contemporânea é que ela é uma evolução das arquiteturas de momentos diferenciados, que ora exaltava a história, tornando-se clássica, e ora a negava completamente, tornando-se por muitas vezes vazia, sem intenção.
Portanto, a arquitetura brasileira é um misto de negação e aceitação, de criatividade e cópias, de brasilidade e importação, é um amálgama de sentimentos intensos e de conceitos diferenciados de cada arquiteto que possui sua própria realidade, e que assim ajudam a formar a genuína arquitetura brasileira, reconhecida internacionalmente.

Maiara Dorigon

Conclusão da disciplia (por Débora G. Stiegemeier)

A metodologia adotada durante o semestre possibilitou um aproveitamento diferenciado numa disciplina predominantemente teórica. Para mim, que pouco admiro disciplinas de história, posso afirmar que consegui absorver muitas informações a partir dos trabalhos práticos (criatividade, abstração, blog).

Conhecer a história da arquitetura brasileira nos leva a refletir sobre a importância e o compromisso que cada um de nós, futuros arquitetos, carregará consigo nos próximos anos. A forma como as obras brasileiras foram se caracterizando, as influências sofridas pela arquitetura estrangeira, as intervenções políticas, enfim, tudo o que foi analisado e discutido durante o semestre, nos leva a entender a arquitetura como ela é hoje e nos incentiva a pensar qual no rumo que daremos a essa arquitetura que teve um princípio de integração com a natureza e preocupação com o entorno.

Num parecer geral, a disciplina foi de grande proveito e nos levou a vários momentos de reflexão.

Débora G. Stiegemeier

17 comentários:

Dayse disse...

Das obras de Paulo Mendes da Rocha, a que mais me chamou atenção foi a loja FORMA, pelo efeito que proporciona ao local em que está inserida. O arquiteto fez com que a vitrine da loja ficasse na altura do olho do observador que passa por esse caminho de carro por de uma via rápida. a loja e sua fachada funcionam externamente com o mesmo intuito de um outdoor, fazendo uma união do espaço projetado com a publicidade dos seus produtos. Como diz o texto "Sua obra também é caracterizada por um "raciocínio de pórticos e planos". Uma "grande sacada na minha opinião"
Parabéns pra equipe!
Dayse Rodrigues

arquitetura brasileira V disse...

Admiro o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, por deixar clara a sua paixão pelos espaços públicos, e dar prioridade em seus projetos, para o convívio das pessoas. A sua arquitetura limpa, porém, de detalhes construtivos minuciosamente estudados, além é claro da sua funcionalidade são pontos fortes de deus projetos para se destacarem.

Samantha

Suélen disse...

Paulo Mendes da Rocha transparece sua formação: de quem se preocupa igualmente com a arquitetura, com a natureza e com a questão social (sendo esta última é herança clara de Artigas), mostrando que o arquiteto tem a função de moldar cidades e com isto melhorar a situação de sua população, mesmo que isto tenha tido consequências como o exílio.
Outro aspecto interessante deste arquiteto é o seu trabalho de análise a partir de maquetes, hábito, infelizmente, em desuso por muitos profissionais da área. Com isto não corre o risco de gerar percepções equivocadas ou inesperadas.

bina disse...

A compreensão do espaço,e da apreensão das suas necessidades, culminado com a busca de uma cidade mais funcional que incentive o convívio humano, dentro do projeto de uma sociedade é uma das questões buscadas por Paulo Mendes da rocha.

Sabrina Fabris

arquitetura brasileira V disse...

Na obra de Paulo Mendes da Rocha vários elementos aparecem, reunidos segundo uma clara intenção espacial evidenciada pelas escolhas de projeto arquitetônico. a Arquitetura limpa se exprime pelos detalhes construtivos rigorosamente estudado.

Juliana caetano

arquitetura brasileira V disse...

A obra do arquiteto Paulo Mendes da Rocha tem como principais características ser crua, limpa, clara e socialmente responsável, influenciada pelos ideais estéticos do brutalismo .O brutalismo privilegiava a verdade estrutural das edificações, de forma a nunca esconder os seus elementos estruturais (o que se conseguia ao tornar o concreto armado aparente).

Patrícia

Joana disse...

Paulo Mendes da Rocha se atira contra o imobilismo do homem, coisas por perplexidade, por dualidade, com ganas de artista, brasileiro que é. Ele ainda nos permite estas investidas na medida que interessam à arquitetura, porque interessam à arte e ainda porque interessam ao homem. Não só permite, mas instiga, inclusive além fronteiras.

arquitetura brasileira V disse...

A tecnologia de Paulo Mendes da Rocha ultrapassa os conceitos rotineiros que dizem respeito simplesmente aos materiais, técnicas ou metodologias utilizadas, o conceito de tecnologia de sua arquitetura consiste, antes de mais nada, em uma compreensão do espaço e da apreensão das suas necessidades, culminado com a busca de uma cidade mais funcional que incentive o convívio humano, dentro do projeto de uma sociedade.

Daniela Grimm

arquitetura brasileira V disse...

Paulo Archias Mendes da Rocha é um arquiteto e urbanista brasileiro. Pertencente à geração de arquitetos modernistas liderada por João Batista Vilanova Artigas, Mendes da Rocha assumiu nas últimas décadas uma posição de destaque na arquitetura brasileira contemporânea, tendo sido galardoado no ano de 2006 com o Prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial. É autor de projetos polêmicos e que constantemente dividem a crítica especializada, como o do Museu Brasileiro da Escultura e do pórtico localizado na Praça do Patriarca, ambos em São Paulo. É nesta cidade também que o arquiteto passou a maior parte da vida. A arquitetura de Paulo Mendes da Rocha costuma ser apontada como um exemplo paradigmático do pensamento estético que caracteriza aquilo que é chamado de Escola Paulista da arquitetura brasileira. Sua obra também é dita por alguns como caracterizada por um "raciocínio de pórticos e planos". De fato, em vários de seus projetos, a plena configuração espacial se dá através de um rápido jogo estrutural, promovido pelo domínio compositivo de elementos construtivos tradicionais. Os projetos nos quais mais se torna clara esta característica são os do Museu Brasileiro de Escultura, da loja Forma e de algumas residências. Apesar da influência visível dos já citados Mies van der Rohe e Artigas, Paulo Mendes da Rocha é aclamado por alguns como um legítimo mestre quando lida com esta linguagem.

Anne Wetzstein Schumann

arquitetura brasileira V disse...

Paulo Mendes da Rocha síntetisa arquitetura moderna e tradição histórica, que é expressa no famoso edifício do Ministério da Educação e Saúde, cujo nome atual, Palácio da Cultura.
Constitui uma contribuição excepcional à nossa reflexão crítica sobre a arquitetura moderna brasileira.
Observamos que Paulo Mendes da Rocha se destaca por evitar a presença de traços pessoais geniais e por se definir como um arquiteto que expressa através de sua obra um modo de entender a realidade. Assim, além da consistência formal da obra, sua arquitetura está fundamentada na relação com a natureza.
Renata R. Lucena

arquitetura brasileira V disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
arquitetura brasileira V disse...

Observando as imagens apresentadas pela equipe ficou bem claro uma forte característica de Paulo Mendes da Rocha, o desenho de moldura, em todas as imagens de fachadas é possivel visualizar os limites da edficação.

Carolina Mara de Amorim

arquitetura brasileira V disse...

Admiro Paulo Mendes da Rocha exatamente pelo fato de ser um "poeta", como ele mesmo diz: "A arquitetura é na verdade uma técnica associada à emoção (...)" E isto se percebe claramente em suas obras, porque ele compreende o espaço antes de projetar e sente as necessidades humanas. Paulo Mendes não impõe uma forma, mas a abstrai do próprio espaço urbano. Talvez seja por isso sua paixão pelos espaços públicos, que afirma sua intimidade com a cidade.


JANINE

Carlinha disse...

Paulo Mendes da Rocha, assim como Niemeyer, mostra como uma boa concepção de projeto pode ser lembrado por muitos anos e demonstra quao rica é arquitetura brasileira. Ganhador do prêmio Pritzke, não podera ser diferente.
Sua simplicidade nas formas transmite a funcionalidade dos espaços.
Grande Arquiteto.

Carla Holz

arquitetura brasileira V disse...

Influenciado pela arquitetura de Artigas, Paulo Mendes da Rocha evidencia em suas obras a utilização do concreto armado aparente em estruturas racionais. A utilização de grandes espaços externos e a sua relação com o observador é bastante trabalhada nas obras dele.

Bianca Frensch Deschamps

Thema Plagiarius disse...

Cacilds!!! Esse aí nem um estádio é!!! Muito menos o glorioso Serra Dourada da minha cidade linda de Goiânia!!! Que ultraje!!!
vejam só
http://www.goiasesporteclube.com.br/arquivos/img1156192851445_g.jpg

Danilo Fernando disse...

O estádio ao qual se refere não corresponde a imagem, esta imagem é do colégio do sesc cidadania.